domingo, 20 de janeiro de 2019

O Rico e Lázaro




"Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras." (Lucas 16.19-21)

    Em um de seus livros Saint-Exupéry disse a conhecida frase, "o essencial é invisível aos olhos".

    Normalmente o nosso olhar é atraído por aquilo que é belo. As coisas desagradáveis, por sua vez, são rejeitadas por nós. Andamos todos os dias pelas ruas e nos deparamos com esse tipo de situação. As roupas mais glamourosas são postas nas vitrines principais das lojas, cujos donos entendem bem do que estou falando. Eles buscam atrair olhares de pessoas que se importam como são vistas pelos outros.

    Assim, muitos são envolvidos pela ilusão do olhar. O rico, como Cristo nos contou, estava vestido com o que havia de melhor nas vitrines de sua época, "se vestia de púrpura e de linho finíssimo".
O rico também estava com o seu ventre farto do que existia de melhor. Não havia necessidades que pudessem afligi-lo. No seu mundo, até onde sua visão podia alcançar, tudo era perfeito. Toda essa "perfeição" cegou o seu olhar para aquele que estava constantemente à sua porta, o pobre Lázaro.

    Como Lázaro existem muitos às nossas portas. Para estes nós muitas vezes desviamos nosso olhar, afinal, é desagradável ver mendigos, vestidos de trapos, cobertos de chagas. Isto não é posto nas vitrines. É desagradável! Como crentes no Senhor Jesus, somos encorajados a ver além da aparência

    Em vida, Lázaro "desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico", no entanto, ele possuía algo invisível aos olhos de todos. Mesmo aos olhos daquele que achava que tudo possuía. Apesar do corpo flagelado pela fome e pelas úlceras, Lázaro tinha aquilo que é essencial. O rico, no entanto, possuía tudo que é agradável aos olhos e ao corpo, mas faltou-lhe o essencial, e aquilo que é passageiro cegou-lhe os olhos.

    Após a morte, Lázaro tornou-se o rico, e o rico tornou-se mendigo. No inferno, o rico agora deseja as migalhas do mendigo: "Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama"(Lucas 16.24). 

    Não sejamos como o rico. Olhemos, pois, a nossa volta, observemos as coisas além do nosso próprio umbigo. O Pai nos deu esse exemplo, sendo rico e habitando nos mais altos céus, ele se compadeceu de nós e nos amou, e nos enviou seu Filho que nos prova que "o essencial é invisível aos olhos", de tal modo que a salvação não vem por meio daquilo que é belo aos olhos dos homens, mas pelo horror da cruz.

Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

(Isaías 53:3-5​)

Dom de Línguas: 4 Erros que muitas Igrejas Comentem


Muitos são os equívocos cometidos por diversas denominações cristãs quanto a esse dom que agrega tanta controvérsia. neste momento não pretendo resolver a questão. Nem mesmo tenho a intenção de expor tudo quanto se tem discutido sobre a questão, mas sim trazer o tema ao pensamento e ao debate honesto. 

    Abaixo seguem 4 erros que muitas igrejas comentem ao fazer uso do dom de línguas.


 1. O dom de línguas como pré-requisito para funções e para o ministério na Igreja.

    Algumas denominações só permitem que seus membros assumam posições como: líder de coros, dirigente de reunião de oração, diaconia, presbiterato e pastoreio se, somente se essa pessoa falar em línguas. Em nenhum momento a Bíblia nos mostra o falar em línguas como um requisito para se assumir algum cargo ou serviço na Igreja, pelo contrário Paulo destaca tal dom como último em sua lista de dons: "A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas" (1 Coríntios 12.28).

 2. Dom de línguas falado por muitos ao mesmo tempo.

    A maioria daquelas denominações que afirmam ser "renovadas" por manifestarem o dom de línguas, expõem tal dom sem qualquer critério por parte dos seus membros, com muitas pessoas falando ao mesmo tempo e pecando contra o Senhor, quer seja por desconhecimento, quer seja por desobediência a Palavra de Deus.
    A Escritura ensina a igreja que: "No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente..." (1 Coríntios 14.27).

 3. Falar sem intérprete

Muitos tem feito mau uso do dom de línguas, ainda de outra maneira, falando sem que exista na congregação alguém que o possa interpretar, a fim de que os cristãos reunidos sejam edificados.
O dom de línguas não deve ser utilizado enquanto a igreja está reunida, a menos que exista alguém que interprete o que é dito. Paulo ensina isso de maneira clara na sua carta: "No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus" (1 Coríntios 14.27-28).

 4. "Não consigo me conter" ou "Não podemos reprimir o Espírito Santo".

Muitos dizem que não conseguem conter o que estão sentindo, mas esse argumento não é válido, porque é anti-bíblico. Em primeiro lugar, a Palavra de Deus nos ensina que o domínio próprio é um fruto do Espírito (Gálatas 5.23). Em segundo lugar, o Espírito que rege os dons é o mesmo para todos: "Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo" (1 Coríntios 12.4), dessa forma o argumento de "não se conter" deveria ser válido para os demais dons, e isso não acontece. Ninguém sai pelas ruas profetizando, curando ou mesmo sem critério algum. "Deus não é Deus de confusão, senão de paz" (1 Coríntios 14.33).

sábado, 19 de janeiro de 2019

Ódio: A Poltrona das Trevas


   
  Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. (1 João 2.9)

    Muitos são os que reivindicam fazer parte, ou mesmo estar na luz, afinal ninguém quer admitir que a sua vida é uma verdadeira escuridão. Não podemos, porém, dizer que habitamos na luz, se estamos cegos pelo ódio.

    A vida que Deus nos concede é cheia de beleza e bênçãos que não podemos medir. Mas existe sobre muitos uma venda que nos impede de enxergar quão grande e maravilhoso é o amor do Pai para conosco e para com o próximo. Essa venda da qual falo é o ódio.

    O ódio pelo nosso irmão nos impede de ver o quanto esse meu irmão é semelhante ao nosso Pai. Quando detestamos nosso irmão, nos tornamos cegos para qualquer ato de bondade que ele possa realizar. O ódio nos faz ver as melhores atitudes e intenções como detestáveis, se feitas por alguém que temos por repugnante. O ódio nos faz assentar nas trevas e nos torna assassinos de qualquer luz que possa vir das ações de nosso próximo. Além disso, o ódio mata também aquele que o pratica. Quem odeia abre mão da eternidade!

    Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si. (1 João 3. 15)
    
    Não negligenciemos a Palavra do Senhor!
Em seu coração você odeia ou guarda rancor por alguém?  Se sim, não perca tempo, clame ao Senhor por arrependimento e erga o seu coração da poltrona das trevas em que está assentado; conheça a verdadeira luz de Cristo. Do contrário nunca conhecerá a luz, porque aquele que odeia a seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos (1 João 2.11).

    O Senhor nosso Deus quer que amemos e sejamos aperfeiçoados no amor!

    Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. (1 João 4.7-8)



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A ti, SENHOR, elevo a minha alma

Como é pesado o fardo de quem anseia por repouso e não tem onde descansar! Como é pesada carga daqueles que, sendo oprimidos, não sabem a quem recorrer! Oh! Como aguilhoadas no coração é a angustia sem consolo.

É triste saber que muitos se encontram nesta situação. Num país tão violento e tão cheio de tragédias como o nosso, sempre encontramos pessoas presas aos sofrimentos causados pelas perdas de entes queridos. Não obstante, vemos muitos perdidos que não sabem para onde ir, ou a quem devem seguir. São como cinzas levadas pelo vento: sem rumo certo; sem norte!

Será que você já passou ou passa por alguma situação assim? Será que você conhece alguém nesta situação?

Davi, o autor deste salmo, passou por muitos momentos difíceis, cruéis e angustiantes durante a sua vida. Mas diferente de muitos ele sabia o que fazer, e, mais que isso, Davi soube a quem recorrer. Lamentando em oração ele disse: “A ti, SENHOR, elevo a minha alma” (Salmo 25.1).

O Desespero -Gustave Coubert
Quando fomos criados Deus soprou em nós o fôlego da vida e nos fez “alma vivente”. Davi sabia que apesar de a sua vida parecer ser sua, ele não deveria fazer dela o que bem entendesse, pelo contrário, ele entendia que se agisse dessa forma ele não suportaria o fardo das suas tristezas, dos seus inimigos e das suas enfermidades. Assim o rei Davi elevou sua alma a Deus.

O verbo elevar em hebraico (língua original do Antigo Testamento) pode ser traduzido também por carregar, levar, erguer. Assim Davi reconhece diante de Deus o quanto ele é pequeno e necessitado ao ponto de não poder suportar as aflições da sua própria vida sozinho, então, ele não vê alternativa melhor do que levar para o SENHOR a sua alma.

Para quem você tem entregado a sua vida? Para qual finalidade você tem vivido? Será que aquilo que você faz traz alívio verdadeiro para os fados ou cargas que estão sobre você? Será que você tem paz verdadeira ou busca a paz em coisa passageiras?

Jesus Cristo, nosso Senhor, veio para trazer “paz a todos quantos ele quer bem” (Lucas 2.14). Não existe caminho melhor do que por as nossas almas nas mãos daquele que venceu a morte; daquele que ressuscitou e que nos diz: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).


Oh Meu caro leitor! Ouça a voz daquele que te chama: Vinde a mim diz o Senhor!

sábado, 22 de agosto de 2015

A Doença Presbiteriana

   Ontem fiz uma visita à casa do meu avô Rev. Cephas Reinaux de Barros. Ele me mostrou muitas fotografias antigas de seu arquivo pessoal que remontam um período de aproximadamente 60 anos de seu ministério na Igreja Presbiteriana do Brasil.

   Esta foto despertou prontamente a minha atenção pelo fato de mostrar um caminhão, Chevrolet 1951, transportando de forma precária muitas pessoas. Eu logo perguntei qual a história daquela imagem e fiquei ainda mais impressionado com seu significado.

   Trata-se de um caminhão carregado de crentes. Homens, mulheres, crianças e idosos cheios de vigor indo de Garanhuns para Canhotinho no agreste de Pernambuco (trecho de 44 km de estrada de barro na época) para um dia de evangelismo no dia 12 de agosto de 1959 em comemoração do centenário da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

   A foto provocou em mim um misto de alegria e tristeza. Alegria por ver que a nossa denominação (IPB) tinha os olhos, o coração e também os pés prontos para as missões, o que fazia os nossos irmãos do passado se empenharem com afinco à causa de Cristo. Por outro lado me veio também a tristeza, pois de um modo geral, como pastor da IPB que sou, não vejo a mesma dedicação dos irmãos presbiterianos hoje, e pouquíssimos são os que se disporiam à deixar o conforto de lado em favor do evangelho (a começar pela nossa liderança).

   Olhos fechados, corações endurecidos e pés atrofiados são marcas da IPB atual. Se as minhas palavras não convencem a você de que o presbiterianismo brasileiro está doente, veja os dados e compare:


  • Igreja Presbiteriana Nacional do México: 114 anos, 6.000 igrejas, 2,8 milhões de membros, 2ª maior denominação do México;
  • Igreja Presbiteriana da Coréia do Sul: 128 anos, 10 milhões de membros, possui o 5º maior templo do mundo em Pyungkang Cheil que comporta 60 mil pessoas por culto, sendo também a maior denominação da Coréia do Sul;
  • No Brasil, os nossos "irmãos mais novos" da Convenção Batista Brasileira: 150 anos, 8.357 igrejas, 3,7 milhões de membros;
  • Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB): 156 anos, 5.392 igrejas, 921 mil membros.
   Os dados mostram igrejas mais novas e de linhas tradicionais e reformadas tanto quanto nós, mas que obtiveram um crescimento muito superior ao nosso. O batistas aqui, por exemplo, são quatro vezes mais numerosos que nós presbiterianos que já fomos a maior denominação do Brasil no passado. 

   A doença presbiteriana certamente não está na forma de transporte que utilizamos para ir ou levar irmãos ao evangelismo, mas a doença está em que nós mudamos com o passar das gerações. Vamos de lado a lado utilizando transportes muito mais confortáveis e velozes que um caminhão Chevrolet 1951, temos os mais avançados meios de comunicação, as mensagens instantâneas, mas esquecemos no meio de todo esse alvoroço a coisa mais importante, A MENSAGEM

   Temos os mais eficazes meios de transporte para que a mensagem se propague rapidamente e da maneira mais adequada e segura, no entanto as Boas Novas parecem ter "perdido a graça", pois demandam tempo demais e cuidados demais para o ágil presbiteriano de hoje em dia que vai ficando para traz.

   O remédio é algo bem drástico, porém simples. Dispensem os carros e vamos a pé até ao nosso parente, amigo, colega de trabalho e anunciemos com as nossas vozes e a nossa prática a Palavra do Senhor, pois "quão formosos são os pés do que anunciam coisas boas!" (Rm 10.15). 



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Feliz dia do AMIGO!


Feliz Dia do Amigo!

    "A amizade surge do mero Companheirismo quando dois ou mais companheiros descobrem que têm em comum alguma idéia, interesse ou mesmo gosto de que os demais não partilham e que, até aquele momento, cada um deles acreditava ser seu tesouro (ou fardo) especial." (C. S. Lewis)
    Jesus Cristo é nosso amigo. Ele nos chama para compartilhar coisas maravilhosas que ele conhece do seu Pai. Estas coisas são tão especiais que "nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano..."; são segredos de Deus que somente serão e já, em parte são, revelados somente aos seus amigos. Com Ele nós podemos compartilhar o nossos mais íntimos segredos e dEle recebemos o mais sábios conselhos para todas as situações. Ele nos dá paz e alegria, e nos momentos mais difíceis, nos ajuda a suportar o fardo.
    Como amigos de Cristo, nós devemos naturalmente ter também o interesse de experimentar e realizar as mesmas obras que ele realizou. Afinal de contas, amigos sempre fazem as mesmas coisas juntos! E o nosso Amigo nos chama a fazer as mesmas obras que ele: "Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei." (João 15:12).
    Meus amigos, Cristo, o nosso Senhor, nos chama para um profundo relacionamento de amizade com ele. Ele te chama para agir com ele, para ir as mesmas diversões que ele e também para carregar com ele o mais pesado dos fardos nessa caminhada da vida cristã a qual havemos de experimentar o mais profundo amor e a mais excelente glória em sermos feitos amigos de Deus.
    "Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque, tudo quanto ouvi de meu Pai, vos tenho feito conhecer." (João 15.15)

sábado, 17 de janeiro de 2015

Somos PÓ

Como homens nunca podemos esquecer esta verdade: Somos pó.

Quando varremos nossas casas ou espanamos nossos móveis lançamos para fora o tão indesejável pó. Ao vermos no final da faxina aquele monte de sujeira na pá, que em breve vai à lixeira, quase nunca, ou mesmo jamais, passa pela nossa mente que somos constituídos pelos mesmos elementos os quais desejamos nos ver livres.

Geralmente nos esquivamos dessa realidade (real fragilidade). Temos uma visão sobremodo elevada de quem nós somos e nos esquecemos dos reais elementos que compõem a nossa matéria. Por mais baixa que seja a nossa estima raramente, ou quase nunca, tomamos consciência de que somos o pó que contaminou a terra e a fez maldita. A soberba é cada vez mais constante e nós buscamos sempre erguer monumentos para si, como fez Saul após vencer os amalequitas (1 Samuel 15).


O pecado sempre é uma falha tentativa de nos elevarmos da condição de pó até a condição de Deus. Como disse a enganadora serpente no Éden: “...no dia em que dela comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3.6). E os nossos olhos foram abertos, assim também nossos corpos foram abertos à corruptibilidade. Tal conhecimento é insuportável à nossa estrutura física. O mal nos faz perecer; nos faz voltar a ser pó; nos descria, pois não fomos criados para conhecê-lo, visto que tal conhecimento trás consigo a nossa destruição. E apesar de termos nos tornado como Deus (conhecedores do bem e do mal), não nos tornamos iguais a Deus que tem o poder inerente ao seu ser de conhecer o mal e até mesmo ordená-lo sem que seja corrompido por ele. Nós, pelo contrário, corrompidos somos, pó somos.

Penetras no jantar de Cristo

     Os momentos de refeição estão entre as situações mais particulares de uma família. Não convidamos qualquer pessoa para comer conosco, apenas os mais chegados se assentam em nossas mesas. Quando desejamos um momento de comunhão entre amigos ou colegas de trabalho geralmente preparamos refeições. De fato esses instantes particulares com convidados seletos nos aproximam e evidenciam a fraternidade que temos uns com os outros.
            No entanto, os jantares e almoços, os quais participamos, também são reveladores. Podemos observar o quanto uma relação social é saudável pelo modo como os envolvidos interagem enquanto se alimentam. Numa família saudável um jantar, mais do que saciar a nossa fome, sacia o nosso desejo de se relacionar com os nos pais, irmãos e agregados. Mas quando alguma coisa vai mal o silêncio, a discórdia e o egoísmo toma conta e não sentimos o real sabor dos alimentos e das relações humanas afetivas que nos satisfazem. Toda aquela alegria vai embora e as diferenças se tornam evidência.
            A ceia da igreja de Corinto revelou ao apóstolo Paulo uma igreja dividida, egoísta e que se ajuntava para pior e não para melhor. Uma igreja onde cada um visava os seus próprios interesses; onde cada um tentava escolher a melhor e maior parte nas refeições, de modo que no seu jantar havia uns que passavam fome, enquanto outros se embriagavam (1 Co 11.21). Por esse motivo Paulo os anuncia: “Quando, pois, vos reunis no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que comeis.” (1 Co 11.20).
            O jantar dos coríntios não representava a família saudável; a igreja sã que se relaciona com Cristo. Pelo contrário, boa parte deles era como penetras no jantar de Cristo. O penetra é aquele que não está interessado no que o anfitrião pensa, ou em se relacionar com os convidados e com os que oferecem aquele momento, mas a única coisa que cabe em seus pensamentos é o seu próprio desejo carnal. A inveja, o egoísmo, a discórdia, a gula, a difamação, a falta de discernimento são partes do seu ser que se evidenciam num momento assim.
            A falta de relacionamento com Deus é a marca de muitas igrejas em nossos dias. Crentes que, como os coríntios, embriagados em seus pecados, se acham no direito de assentar na mesma mesa de Cristo e cear com ele. Crentes que vão ao jantar de Cristo para prestar satisfação aos homens e não pelo desejo de contribuir com a unidade da igreja, muito menos pelo anseio de se tornar mais íntimos de Cristo. Para estes é que Paulo diz, “Não é a ceia do Senhor que comeis”.
Não! Não jantaremos com Cristo, o nosso Senhor, enquanto não aprendermos a discernir quem somos, quem Cristo é, e para que fomos convidados. Somos convidados, não para enchermos a nossa pança de vinho e pão, mas para enchermos a nossa vida com os palavras do Anfitrião que alimentam o nosso ser e preenchem a nossa alma de alegria.

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma o pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem” (1 Coríntio 28-30).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ouvi a Voz de Deus

Oh! Que manhã gloriosa em minha vida
              Após uma noite de escuridão,
Apenas havia trevas e o mal proliferava...
             Ondas de crimes...
                             Crimes e mais crimes eram praticados...
             Ódio pelo ódio que matava o próximo
                              Em casa, ruas e nos campos de batalha.
             E, eu apenas dormia.
                              Enquanto a corrupção moral crescia...
             Nas famílias que se divertiam
             Em salões de festa, noites de orgia,
             Onde dançavam, comiam e bebiam...
             Os desejos carnais prevaleciam,
E, eu apenas dormia.
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Oh! Que manhã gloriosa em minha vida
               Quando o SENHOR me despertou!
Era o sono da aparente inocência,
                               do comodismo, da indiferença
                Que procura fugir da responsabilidade.
E, talvez como o profeta Jonas
                No porão do navio para Tarsis
                Fugindo da voz de Deus, dormia.
Era o sono apático do pecador insensível à voz do SENHOR.
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Oh! Que manhã gloriosa em minha vida
               Quando o SENHOR me acordou!
Despertei desse sono desesperador!

                Ouço agora a voz da natureza,
                               No cântico dos pássaros que gorjeiam,
                               Nas gotas da chuva que regam a terra.
                               No sussurrar da brisa de uma manhã
Que raiou, enchendo-me de luz e resplendor!
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Ouço, agora a voz de DEUS a chamar-me!
                               Qual jovem Samuel, também respondo:
                               "Fala SENHOR, porque o teu servo ouve".
Ressoa em a voz de Cristo a comissionar:
                                - "Ide e pregai o Evangelho a essa multidão
                                             desgarrada, quais ovelhas perdidas;
                                - Ide e anunciai o meu amor no Filho amado
                                             que derramou o Seu sangue remidor;
                                - Ide e proclamai o vero perdão
                                             que alcança o mísero pecador".
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Oh! Que manhã gloriosa,
                                Quando me despertou o SENHOR DA GLÓRIA!


Rev. Cephas e sua esposa Marlene.
                                 
                           
   (Manhã inspirativa: 11.08.85.
    Autor: Rev. Cephas Reinaux de Barros).

VIDA

   A vida seria tão simples sem pecado. Tão simples que vida sem pecado se chama vida. Só experimentamos a vida quando somos completamente limpos e libertos do nosso pecado. Quando isso acontece nós entramos para a vida.

   Quando recebemos vida deixamos de apenas existir, vivemos. Adquirimos relacionamento pessoal com o Criador que abundantemente nos concede a vida expiando de nós todo o pecado.

   "Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." (João 1.7-9)


Guilherme Barros

domingo, 20 de abril de 2014

Fruto do Espírito, Evidência da Predestinação


 Fruto do Espírito, Evidência da Predestinação
    Sou presbiteriano, ouço o ensino da predestinação desde a minha infância, e por mais ensino que exista sobre a doutrina dos Decretos Eternos de Deus é costumeiro ouvir alguns irmãos dizerem, enchendo o peito, a seguinte exclamação: “Eu sou predestinado!”.

   Não há problema algum em você dizer de si mesmo que é um predestinado* – desde que você seja um. A grande questão, que é a causa da minha indignação neste texto, é que boa parte dos que gritam para todo mundo ouvir “– Eu sou predestinado!” geralmente o fazem para mascarar uma vida pecaminosa, como se dessa frase emanasse algum poder mágico que sopra em suas mentes o seguinte pensamento: “Não importa o que eu faça, que tipo de vida eu leve; se estou ou não em comunhão com Cristo e com a Igreja, Deus não tem escolha, afinal ele já me elegeu ao Paraíso, assim, faça o que eu faça a Terra Prometida já me pertence”. Tomados desse pensamento muitos caminham mesmo preordenados ao fervente Lago de Fogo destinado para o Diabo e seus anjos, ao invés da Eternidade com Deus.

   Os verdadeiros eleitos de Deus para a salvação depositam a sua confiança exclusivamente em Cristo, na certeza de que ele nos elegeu antes da fundação do mundo a fim de nos livrar das nossas más obras; da nossa pecaminosidade já providenciando antes da fundação do mundo as boas obras e o fruto do Espírito Santo, afim de que os seus eleitos andassem neles. Assim diz Paulo aos Efésios: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor... desvendando-nos o mistério da sua vontade segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo... nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.” (Ef 1.4,9,11) e ainda: “Pois fomos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.10).

   Em Gálatas 5, o Apóstolo Paulo nos apresenta uma lista de atributos que possuem aqueles que são de fato predestinados de Deus. Essa lista é chamada de Fruto do Espírito e a compõe as seguintes qualidades individuais: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” (Gl 5.22,23) e conclui afirmando, “se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl 5.25). Não há como viver em Cristo e continuar andando nas trevas, não há como servir a dois senhores, não há a possibilidade de andar no Espírito e passar uma vida inteira produzindo frutos podres.

   Como disse, existem muitos na igreja gritando aos quatro ventos: “ – Eu sou predestinado!”, quando suas conhecidas obras são: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissenções, facções, invejas, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas...” (Gl 5. 20,21). Para estes a conclusão de Paulo é clara: “...não herdarão o reino dos céus os que tais coisas praticam” (Gl 5.21). 

   Não somos salvos pelas boas obras, mas certamente, como eleitos de Deus, elas nos
foram postas em nossas mãos a fim de que nós as executemos, e assim, a glória de Cristo seja manifesta a este mundo.

Guilherme Barros